Coisa de gente grande

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Eu sou fraco
Acordo atrasado e fico deitado sem poder
E se nada me força a levantar
Sabe-se lá quantas horas vou perder

Se sou agora, serei amanhã
Um desejo aflora de um menino que sonha
Quantas noites que sonho em sonhar,
Pra me assustar com a realidae
Que me pus a imaginar?

Desejos e sonhos, impulsos e planos
Ser fiel a todos é ledo engano
Uma moça sábia me disse um dia
Pra perseguir os sonhos, pois via
O como nos traem os planos
Como sou fraco, no calor de um ato
Tracei uma linha em tinta de caneta
Pra evitar que as borrachas da vida
Ou a conveniência de formas óbvias
No meu caminho depois se intrometa.

Desconfio que o desenho possa mudar no futuro
Então me enjaulei com meu sonho mais puro
Assim o tédio não pode me aprisionar
Assim por mais que seja duro
Não vai me faltar o que amar.

-R.C.

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Os anos

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Os anos ficam mais difíceis conforme eles passam
E não há como pará-los
Nem eles, em si, ou sua crescente força
É a natureza da passagem do tempo
O segundo sobe em seu ombro como uma criança brincando
(Drummond avisou sobre o mundo bem como a velhice)
E vão se acumulando até que não se aguenta mais

O que posso fazer, se o peso fica tão grande?
Quem sabe compartilhá-lo.

Quem dirá quão difícil será?
Só o tempo.
Mestre de si, causa e indicador.

-R.C.

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Uma tarde de chuva em minha antiga casa

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Como uma bandeira de um país que já não existe mais
Cujo hino já não se entoa
E o juramento há muito não é feito.
Mais que esquecido, abandonado
Jogado ao vento sem qualquer significado
Sem origem, sem final
Não eterno, não finito
Quase vazio, mas cheio de algo xoxo.
Se houvesse memória, seria pouca
Se fosse pouco, de nada valeria.

Não há motivo intrínseco para estar no mundo
Mas algo nisso incomoda muito…
Só vale se há grandes feitos?
se há motivações maiores?
Cansaço pela busca desse sentido
E não sei quando isto passará.

Quero salvar vidas mas minha alma se perde mais e mais.

-R.C.

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O Pombo Urbano

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A Rotina é perigosa
Te enrosca sem ver
Funcionalmente engenhosa
Faz o que fazes sem ser
O que quem sabe gosta

A rotina tem seu perigo
Uma chuva ácida
Que ao buscar abrigo
Conta não se dá
Do conforto ao se banhar

A rotina ajuda
É tediosa, escravisa
Te empurra
Não quero dizer civiliza,
Mas em certo nível
Faz o dia-a-dia mais digerível.

A rotina não mata
Mas há vida na rotina?
Há vida automática
Que não pensa nem procrastina?

Vida mecânica…
Vida de máquina.

-R.C.

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Dialética

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Não tenho sentido na vida que vivo
Não vejo futuro nesta situação
Mas não vivo nada tão incisivo
Negativo de antemão

Não é que sou triste
Só não estou feliz
Acreditei que quem insiste
Vive sempre o que quis
Espero que deposite
No meu quadro pouco giz
Pois exclamação se existe
Se anima com o que fiz.

Não tenho sentido na vida que vivo
Não vejo futuro nesta situação
Mas não vivo nada tão incisivo
Negativo de antemão.

-R.C.

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Tudo são vontades

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Vontades.
Não me trazem vantagens
São mistos de quero e adoro,
Só aumentam se demoro
Se satisfaço, comemoro
Mas sei que mesmo com tanto cansaço
Desse sentimento me desfaço
Vontade.
Ela cresce do nada,
se disfarça de saudade,
De falta, tédio, sede
E até se acaba
Faz favor de voltar
Quando está de volta,
Escurece o pensar.

Tudo são vontades.

-R.C.

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Ensaio resposta

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Já se foi a era da idealização
Os ensaios apaixonadas já não me apetecem
Eis aqui a desconstrução
De tudo o que acontece.
Se amor era reação,
A sua energia falta
Se havia tripartição
Mostro contagem mais alta.
Pois o amor de filho
Não é amor de pai
Amor perante empecilho
Ou amor que te distrai.
Se antes idealizado
Ele é temido
Nem perto de terminado
Mas não sei se consigo
Perante essa natureza volátil
Aceitar o sentimento sem batalha.
Antes era tão sensível,
Hoje só me atrapalha.
-R.C.
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Heresia

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Se meu destino transita
Entre o que é e o que imita
Distinguo o que me irrita, como me excito
E escolho o que rejeito, o que aceito.
Não vivo todo afoito,
Há o que me anima
Agora, com dezoito
Não posso ver por cima

E quão fácil seria?
Tratar ilusão como heresia?
-R.C.
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Desabafo de agora

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Não penso em você
Mas se penso,
É com melancolia, não saudade
De quem era companhia sem maldade
E fica então essa vontade
De expressar o que vem do coração
Somente ao chegar a ocasião

Mas como disse,
Não penso em você.

-R.C.

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Ódio intrínseco

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Algo que odeio e o quanto eu quero te odiar
Mas não consigo
Eu queria bater a porta, trancar, jogar a chave longe
Meter móveis na frente
Tudo pra não ver nada que toque tu
Rupi Kaur acertou na mosca:
O ar não tem uso,
A luz não é bem vinda,
A água sujismunda.
Mas não consigo.
Se fosse eu no teu lugar, não me perdoaria.
-R.C.
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