O primeiro poema

Para ti foi o meu primeiro poema
Assim também está o último
O triste fim não será problema
Música lenta que me leva ao abismo

Com doces palavras te elogiei
Tal como açúcar puro e cristalino
Suadas mãos segurei
Ao som do afinado violino

Carícias íntimas e intimistas
Enlace de duas almas errantes
Seriam penas quase ilícitas
Mas ideias não eram como antes

Ilusão profunda
Ou realidade dolorosa
Seria essa uma dúvida oriunda
De uma realidade mentirosa?

Comigo não dialoga, fala
Só grita, escarra
Até orei a Alá
Mas a mim tu agarra

Tento fugir, mas é impossível
A ti amo demais
Viver só é inconcebível

Por que isso acontece?
Você me fez muito mal
Parece que entender de verdade
Só irei ao final

Meu final feliz é horrível
Digno de depressão
Mas essa comparação é cabível
Pela altura e pelo coração
Sem você não há combustível
Contigo entro em combustão
A vida não me é disponível
A morte um belo alçapão
 

-R.C.

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